Mostrando postagens com marcador Katharsis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Katharsis. Mostrar todas as postagens

Projeto Katharsis

   Hey, dudes. \o/
   Faz um tempo que não aparece o Projeto Katharsis aqui, sim? Mas está de volta!
  Dessa vez quem mandou um dos seus escritos foi a Mônica Dobbert, do blog Moniitorando. Esse texto já foi postado na página dela, mas ela, gentilmente, cedeu para publicação aqui no TBIOTS. 
   Esse texto é mais curtinho e ela diz que normalmente escreve textos curtos com indagações ou coisas mais cotidianas, mas não chegam a ser crônicas.
   Se deseja conhecer mais dos seus textos, visitem o Moniitorando. (:


           Eu me sento nesta ponte, num dia de pouco sol, num entardecer de outono, de ambos os lados apenas árvores, sem folhas, sem flores, sem frutos, na água vejo a ponte e minha própria imagem refletida.

 Quantas outras pessoas haveriam estado ali antes? Naquela mesma ponte, naquele mesmo espaço de ponte, balançando os pés no ar, respirando fundo, pensando, refletindo. Quais eram os problemas destas pessoas? Os sonhos? Será que já havia acontecido alguma morte, algum suicídio neste local? Essa água que passa aqui agora, onde esteve antes? E a que aqui esteve há alguns minutos, onde estará daqui algumas horas?

O tempo passa e eu perdida em pensamentos nem percebo. Na água a imagem de uma lua cheia brilhante, entorpecedora, letárgica.

Fixo meus olhos nela, e creio que tal qual narciso que admirado com sua própria imagem, caiu nas águas profundas sem mais voltar, (?) eu, admirada com a lua, me deixei cair, me deixei levar, ao fundo do mar. Assim teve fim minha vida, minha breve vida.



   Deixe seus comentários para a autora do texto, galera. Incentivo é sempre bom.
   Se você tem algum texto que desejo ver publicado, veja como aqui. Não reprima sua arte!
   Beijos e DON'T FORGET TO BE AWESOME!


Se eu fosse um livro...



   Se eu fosse um livro talvez seria um chick-lit. É, a história de alguém que gosta de se divertir com as amigas, que dá uma de sabe-tudo, que acha que conhece tudo sobre o mundo...e quebra a cara.
   Sim, mas também poderia ser um triller de suspense. Que decisões tomar? E se eu fugir? E se eu seguir por esse caminho? E se a vida nunca for como esperava? E se...
   Também não me nego o direito de ser uma aventura: passar pelos meus problemas com um sorriso no rosto e cabeça erguida daria ótimas páginas.
   E por que não ficção científica?  Será que há algum alien por aí que queira explorar este planeta isolado? Ah, não precisa ser de outro planeta: basta ter um coração e muita paciência porque este livro de mistério ainda necessita de tempo para ser sequer aberto.
   Independente do gênero, com certeza não seria um best-seller. Seria um daqueles escondidos no fundo da estante, acumulando poeira. Um daqueles que julgariam pela capa simples e gasta, cansada de ver tantos rostos e nenhum lar. Me encaixaria nos sem sinopse, sem recomendações de autores famosos, sem nenhum atrativo especial a não ser suas palavras. Seria um triste e extensivo monólogo, cheio de detalhes e sentimentos, com folhas amareladas e um vazio no fim da página. Aparentaria solidão e esperança. Seria uma capa branca, sem cor, sem forma, sem voz, silêncio.
   Mas assim como todo livro, traria um ponto de vista, algo a acrescentar. Tornaria as dores mais suportáveis, os gritos dos que não tem voz mais alto. Entreteria e o leitor ganharia pelo menos algo com minhas páginas, nem que fosse espaço preenchido na estante. E eu ficaria lá, observando, sendo livro ou não. Observando a vida de quem resolveu me ler, quem deu importância para o que eu dizia, quem resolveu investir apesar de estar lá, bem ali no cantinho da livraria.
   Para esses leitores queria ter a oportunidade de falar, mesmo com minhas palavras chulas e meus parágrafos banais, que um autor valoriza quem ama sua obra, quem a vive, sente e dá atenção. Mas sou apenas um livro fechado, uma pessoa reclusa. Apesar disso, há sempre metáforas, mensagens subentendidas e quero que meus leitores, mesmo com um pouquinho mais de esforço, saibam porque usei elas. Se você for um bom leitor (ou uma boa pessoa) as valorizará.
   E se você passou por mim e não me notou, lhe compreendo perfeitamente. Ninguém se interessa por capas brancas, frases mal construídas, erros de digitação – ou de caminhada. Tudo que posso lhe desejar é um livro que lhe arrebate, que torne sua vida um pouco mais perigosa; desejo-lhe páginas amarelas para que também aprenda a apreciar o cheiro da vida e  capas instigantes que lhe despertem a visão e assim leia cada página atentamente para, na hora da leitura, evitar mal-entendidos.
   E desejo, acima de tudo, que escreva uma história melhor. Revise seus rascunhos, peça opiniões aos mais íntimos, tenha um cuidado maior com suas sentenças.  É como o grande Will falou: “Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém. Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência para que a vida faça o resto.”
   Mas se você der as boas razões e a vida não se importar, ainda há um lugar aqui no canto da livraria. Você terá uma capa melhor, com certeza. Talvez lhe levem primeiro, mas minha companhia sempre será algo certo, pode vir.
  E se você não for um livro, pode vir para o canto da livraria mesmo assim. Estarei lá de qualquer jeito. Passeando pelos corredores, correndo os dedos pelas lambadas, lendo sinopses de livros esquecidos. Mesmo que o branco seja solitário, ele sempre será algo certo. E a maior certeza neste exato momento é que lá estarei eu, livro ou não livro, no fundo desta livraria, esperando alguém que tenha paciência e sensibilidade de ler essas páginas esquecidas, essa capa branca e esse coração mofando, acumulando poeira. Bem aqui, no fundo da estante.

Karthasis — Pedro Gomez



   Hey! Hoje vou postar a primeira participação do Projeto Karthasis. Não postei anteriormente porque meu word não estava funcionando e o conto foi mandando  no formato doc. D: 
   Anyway... Quem nos enviou o texto abaixo foi Pedro Gomez. Eu já tinha lido alguns contos dele antes e sempre adorei. Espero que vocês gostem também. (:


O Matador de Dragões

   Um jovem cavaleiro...ou talvez apenas um jovem sonhador... 
  Certamente um jovem, que cansou-se dos antigos e monótonos afazeres diários e agora possui aquele ambicioso brilho nos olhos por algo mais ousado, como inevitavelmente ocorre com todos em certa idade.
  Tal brilho finalmente apareceu no momento em que a viu. A jovem donzela de cabelos tão negros quanto a noite e que possuía uma pele tão branca que sua presença podia ser comparada em si com o mais belo luar que já arrebatou o humilde vilarejo que se fazia sua mente. E a donzela, assim como a própria noite e o luar, era impossível de se alcançar... como que para tornar a metáfora perfeita; mas afinal, que metáfora não é?
   Mas não importava que ele tivesse que alcançar a lua, viajar ao inferno ou apenas conquistar o coração de uma noviça... era um cavaleiro,...dos mais destemidos e do condado mais valente... o dos sonhadores. Não se daria por vencido.
  Foi então que começou sua missão... viajou para o longínquo e desconhecido...para o perigoso. Derrotou dragões com a destreza e a fúria de mil almas errantes, mas era apenas um jovem franzino que clamava por seu amor.
  Depois do que lhe pareceu uma década ele voltou... já era um homem. Possuia sua honra... mas ainda assim humilhou-se e jogou-se aos pés daquela que preenchia seus sonhos todas as noites há tanto tempo, e clamou por seu amor. Gritou para que todos ouvissem que ele, que matara a própria morte...entregava-se de corpo e alma a ela...
   Que ele a entregava seu coração.
   A donzela pôs-se à sua frente e ordenou que se levantasse.
  Ao levantar, ele pôde ver seus olhos de perto. Era a primeira vez que via aqueles olhos profundos e escuros. Tão escuros que refletiam a luz de seus próprios olhos. Porém, aquele escuro não eram trevas. Era algo doce...e penetrante. Mas antes que pudesse pensar na metáfora certa, a donzela lhe arrancou o punhal que carregava em sua bainha...levantou-o e reunindo suas forças, cravou-o com precisão em seu peito...perfurando-lhe o coração.
  Mas havia algo de magico naquele cavaleiro. Não havia como ele ter ido ao inferno sem que retornasse com qualquer coisa de místico. Ele não morrera com aquilo...apenas ficara ali...urrando de dor em uma agonia sobrehumana enquanto sua amada lhe perfurava o coração.
 Algo interessante ocorreu...o jovem cavaleiro...o jovem sonhador...começava a desbotar...envelhecia e enegrecia...enquanto o fluido vermelho de sua vida escorria por seu peito e seu semblante, incrédulo, ainda olhava os vales sem fim dentro dos olhos da donzela, que por sua vez...ganhava vida...ficara mais bonita...mais forte...até que o largara...deixando-o ali...com um palmo de uma navalha afundada em seu peito e agonizando; se perguntando por que isso ocorrera. Ela afastou-se devagar...com lágrimas nos olhos. Lágrimas de culpa.
  Depois de passar mais uma década sofrendo...com noites agonizantes e sangrentas e ainda com o punhal em seu flanco, o cavaleiro, ainda ferido, avista uma bela camponesa. Ao ver seus olhos grandes castanhos, com uma grande esfera infinita e negra no centro...sente, após uma década, o sangue correr rápido por suas veias e começou a imaginar que a ferida começava a ser fechada.
  O cavaleiro, debilitado, não tinha mais condições para duelar contra dragões para obter o amor de sua amada..mas em um dia...como que com uma imagem divina vinda de seus mais belos sonhos, o jovem encontrou um alaúde. E com sua determinação, compôs a mais bela das musicas para aquela camponesa, que certamente a merecia. Afinal...como poderia a mártir da perfeição não ser merecedora?
  Após anos ouvindo seu nome ser cantado, a camponesa aproximou-se dele, que por mais um segundo, abaixou sua guarda e permitiu que a camponesa massageasse seu peito, ainda com uma lâmina saindo dele. Ao sentir o suave toque da jovem, ele sentiu como se sua ferida estivesse sendo automaticamente curada, mas cometeu de novo o mesmo erro.
  Quando o êxtase foi tanto que ele fechou os olhos, a camponesa apoiou-se na bainha do punhal e o afundou no cavaleiro até a metade. E mais uma vez o ritual se sucedeu...a jovem camponesa revitalizou-se e encheu seus olhos de lágrimas enquanto o cavaleiro empalidecia e agonizava, modificando completamente seu semblante.
  Por mais que tentasse ser perfeito, o cavaleiro sempre tinha o mesmo final e cometia vez após vez o mesmo erro...e se perguntava: por que isso ocorre? Por quê sempre aumento minha ferida pelas mãos de quem eu me dedico para ajudar, procurando desesperadamente também, alguma ajuda?
  Pois como poderia eu saber? Sou apenas um simplório escritor com um conto triste em minhas mãos...de modo que essa pergunta permanecerá sem resposta.
  E sem resposta o cavaleiro seguiu..por anos...enquanto sua ferida tornava-se maior e mais sangrenta, e o punhal em seu peito finalmente, em um golpe de misericórdia...foi enfiado até o talo em seu coração. Não havia mais como empurra-lo. A ferida estava completa e rasgava seu coração ao meio. Não havia volta.
  Um segundo antes de morrer, o jovem cavaleiro..sonhador...lutador e poeta musico viu sua vida passar por diante de seus olhos, e lembrou-se de quando sua ferida foi aberta...lembrou-se do motivo. E podia jurar que o viu no horizonte, vindo em sua direção. Aquela menina linda, de cabelos longos e mãos sobre o peito, como se quisesse proteger seu próprio coração... Coisas de quem está á beira da morte.
   Aos poucos sentiu a vida esvaindo-se de seu corpo e estirava-se ao chão antes que a donzela o alcançasse. Uma lágrima solitária lhe fez companhia em sua partida.
  Um fim de tarde, um pôr do sol...um amontoado de pedras com finalidade de lápide é cercado de arvores em uma bela colina...honrando a lembrança daquela pobre alma amante.
  No topo do amontoado tem uma espada...ou seria apenas dois galhos cruzados...para que nunca se esqueçam do jovem guerreiro, matador de dragões...o jovem cavaleiro do condado...o jovem sonhador...ou quem sabe...simplesmente um jovem...

23:10 25/12/2011

Pedro Henrique Miranda Gomes

  Lindo, não?! Adorei esse! Espero que tenham gostado também!
  E você, gosta de escrever? Se quiser mostrar seu trabalho veja como participar do Katharsis aqui. Eu tenho recebido cada texto lindo, que me faz chorar. Não demore em mostrar seu talento também.(:
  God bless you! <3

Katharsis


   Há algum tempo queria fazer esse projeto aqui no TBIOTS e não achei nome que exprimisse melhor o objetivo dessa coluna do que Katharsis. Mas antes de explicar do que se trata, vamos primeiro ver o que é Catarse.

Catarse é um termo de origem filosófica com o significado de limpeza ou purificação pessoal. O termo provém do grego “kátharsis” e era utilizado por Aristóteles para designar o efeito causado no público durante e após a representação de uma tragédia grega. A catarse era o estado de purificação da alma experimentada pela plateia através das diversas emoções transmitidas no drama.
    Como se pode ver, Catarse era o sentimento de alívio vivido pelo indivíduo através das emoções exprimidas pelo meio artístico. Algumas pessoas não têm a quem recorrer ou não confiam em ninguém quando precisam expor seus sentimentos, até que recorrem a arte e se libertam. Há também pessoas (como eu) que sentem as mesmas emoções do personagem de um livro e quando termina de ler, uma sensação boa sobe à alma. É como nascer de novo. É uma liberdade incrível, como se você pudesse ser o que quisesse. Isso é a catarse.
    A Literatura é uma manifestação artística e também tem a sua catarse. 
    Pouco se vê oportunidades para que jovens escritores mostrem seu talento. Se você escreve e também expressa seus sentimentos por meio das palavras e quer que seu trabalho seja mostrado, aqui no The Book is on the Shelf você tem seu espaço. 
    Se você está interessado em mostrar sua arte e provocar uma catarse entre os visitantes do TBIOTS, mande sua obra para o e-mail thebookisontheshelf@hotmail.com com o assunto "Katharsis".Você pode participar com textos, poemas, músicas e coisas nesse estilo. 
    Espero que participem! Provoque uma catarse você também! (: